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sábado, 11 de dezembro de 2010

CARA DE PAU

Fernando Rodrigues, editor de política da Folha de São Paulo, possui todos os dados sobre a ficha de Dilma Rousseff, que foram obtidos junto ao Superior Tribunal Militar, depois de briga judicial. Antes de colocar a mão na papelada, a Folha e o jornalista lutavam para ter o direito de publicar o que estava sendo escondido da população. De posse dos documentos, já com a investigada eleita presidente, a Folha e o jornalista não publicam o material que está em seu poder. E Fernando Rodrigues, o maior cara de pau do jornalismo brasileiro, tem a coragem de escrever o comentário abaixo (ressaltei partes em vermelho), na edição de hoje do seu, digamos, como podemos denominar, ah, sim, do seu jornal: 

O dever de publicar

BRASÍLIA - Há muitas interpretações curiosas na praça a respeito do processo pelo qual documentos da diplomacia dos EUA chegaram ao WikiLeaks e aos órgãos de imprensa. Em meio a elucubrações diversas, duas teses tratam a imbricação do episódio com a prática do jornalismo. São as seguintes:
1) os jornais deixam de praticar reportagem. São irresponsáveis ao publicar telegramas vazados;
2) os jornais se associam ao comportamento temerário do WikiLeaks. Divulgam dados sensíveis, como a lista de locais vitais para a segurança de alguns países.
As duas proposições derivam de desinformação ou má-fé. Nenhuma das sete publicações no planeta com acesso privilegiado aos telegramas, a Folha incluída, deixou de averiguar o conteúdo dos despachos antes de publicá-los.
Ontem, por exemplo, a Folha ouviu várias fontes sobre o relato de 2005 no qual um diplomata dos EUA afirmava que Dilma Rousseff havia organizado três assaltos a bancos. O material apresentado aos leitores esclarecia não haver provas a respeito de tal acusação.
Sobre colocar em risco a vida de alguém, não parece ser o caso das reportagens que citam alguns dos milhares de telegramas obtidos pelo WikiLeaks. Há também uma cláusula explícita entre os jornais e a ONG tratando do tema: não divulgar nomes de pessoas que possam ficar em perigo físico por causa da revelação de suas declarações.
A Folha já segue normas rígidas e usou esse critério nas reportagens com despachos obtidos pelo WikiLeaks. Antes de um telegrama ser divulgado, cada frase é detalhadamente analisada por vários jornalistas envolvidos no processo.
Resta o episódio dos locais vitais para a segurança de alguns países. O WikiLeaks estava determinado a divulgar o dado. O que poderiam fazer os jornais? Se uma notícia vaza, a mídia tem o dever de publicá-la. Praticar autocensura não combina com o bom jornalismo.

A MIRANTE DA VERGONHA

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